CAPÍTULO 120 – CONCILIAÇÃO – EMMANUEL

“Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz e o juiz te entregue ao oficial de justiça, e te encerrem na prisão.” Jesus. (Mateus, 5:25.)

Muitas almas enobrecidas, após receberem a exortação desta passagem, sofrem intimamente por esbarrarem com a dureza do adversário de ontem, inacessível a qualquer conciliação.

A advertência do Mestre, no entanto, é fundamentalmente consoladora para a consciência individual.

Assevera a palavra do Senhor – “concilia-te”, o que equivale a dizer “faze de tua parte”.

Corrige quanto for possível, relativamente aos erros do passado, movimenta-te no sentido de revelar a boa-vontade perseverante. Insiste na bondade e na compreensão.

Se o adversário é ignorante, medita na época em que também desconhecias as obrigações primordiais e observa se não agiste com piores características; se é perverso, categoriza-o à conta de doente e dementado em vias de cura.

Faze o bem que puderes, enquanto palmilhas os mesmos caminhos, porque se for o inimigo tão implacável que te busque entregar ao juiz, de qualquer modo, terás então igualmente provas e testemunhos a apresentar. Um julgamento legítimo inclui todas as peças e somente os espíritos francamente impenetráveis ao bem sofrerão o rigor da extrema justiça.

Trabalha, pois, quanto seja possível no capítulo da harmonização, mas se o adversário te desdenha os bons desejos, concilia-te com a própria consciência e espera confiante.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

DIFICULDADES DO PERDÃO – Irmão José

 

“Jesus nos ensina que a misericórdia não deve ter limites, quando diz que cada um perdoe ao seu irmão, não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. X – Bem-aventurados os que são misericordiosos.)

Faze de tudo para não te deixares magoar, porque a mágoa é uma nódoa muito difícil de ser lavada do coração.

Muito mais fácil, pois, que interpretes o ofensor por um amigo doente que, quando te ofendeu, agiu completamente sem lucidez, e, portanto, mais do que seu perdão, tornou-se digno de sua complacência.

Ao nos recomendar o perdão setenta vezes sete, Jesus sabia o quanto se nos faria extremamente penoso esquecer o mal que nos fosse feito, e que, a fim de que chegássemos a realmente esquecê-lo de todo, necessitaríamos, em uma única falta, de ofertar perdão sobre perdão ao agressor, infinito número de vezes.

Ele, o Cristo, jamais teve que perdoar, porque, em nenhuma oportunidade, se permitiu ser ofendido.

Com base nesses raciocínios, imaginemos, por nossa vez, o quanto nos será demasiado complexo obter o verdadeiro perdão da parte daquele que prejudicamos.

Sendo assim, o melhor, igualmente, é que redobremos vigilância para que, em benefício de nossa paz íntima, não venhamos a carecer do perdão de alguém.

Existem espíritos que choram por séculos, não propriamente no esforço de perdoar, mas no esforço de serem perdoados, com o intuito de que, em se sentindo livres de toda e qualquer culpa, consigam caminhar adiante sem sombra alguma a lhes tisnar o céu da felicidade que almejam.

Neste sentido, nunca será demais repetir que, sem o concurso do bem, o mal não se anulará.

Se, quando na condição de ofendidos, Jesus nos conclama a perdoar setenta vezes sete, quantas vezes, na condição de ofensores, Ele não nos conclamaria a pedir perdão a quem ofendemos?!

Perdoar ou pedir perdão setenta vezes sete será, pois, como trabalhar para se erradicar uma tumoração maligna do organismo, em todas as suas possibilidades de recidiva e de sequela, de modo que o tumor seja curado como se nunca sequer tivesse existido.

Ante tais dificuldades, oremos ao Senhor para que nunca nos encontremos na posição de vítima e, muito menos, de algoz, porque, perante as Leis Equânimes da Vida, nenhuma das duas condições é favorável à nossa paz.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

PERDÃO – Irmão José

Quem não perdoa o ofensor está mais vinculado a ele do que imagina.

Ao invés de afastar-nos, o ressentimento ainda mais nos aproxima daqueles que nos ferem.

Somente quem perdoa libera o pensamento das algemas de ódio que forjou para si.

No estágio evolutivo em que nos encontramos, todos ferimos ou somos feridos por alguém, necessitando, por isto mesmo, de exercermos o perdão recíproco.

Consciente ou inconscientemente, estamos magoando as pessoas todos os dias.

Coloquemo-nos no lugar do outro, para compreendermos melhor as suas atitudes conosco.

O ofensor quase sempre é alguém agindo pressionado por problemas que nos escapam à percepção imediata.

Ninguém agride pelo simples prazer de agredir.

Não guardemos mágoa no coração, como quem armazena ressentimento para consumo diário.

Quem tenha algo contra alguém não conseguirá ser plenamente feliz.

Estejamos sempre dispostos a perdoar, mas sobretudo humildes no reconhecimento dos erros que cometemos.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)

PERDÃO – NECESSIDADE HUMANA – Irmão José

Perdoar não é apenas esquecer a ofensa, mas lembrar que o ofensor é um irmão doente e precisa ser amado.

Quem permanece em seu juízo perfeito jamais magoa alguém.

Quanto mais ilimitada a tua capacidade de compreender e amar, menos te sentirás exigido em matéria de perdão.

Agredido a cada instante, porque não assimilava os golpes que lhe eram desferidos, Jesus não experimentava a necessidade humana de perdoar.

Se a ofensa coloca à mostra as limitações de quem a pratica e o perdão, o grau de consciência de quem luta para superar-se, quem nada tem a perdoar revela que já se encontra um passo além no caminho do verdadeiro amor.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Pai, Perdoa-lhes!”)

PERDOAR E SER PERDOADO – Irmão José

Quem perdoa se isenta da Lei do Carma.

Quem é perdoado fica devendo a ela.
*
Quem perdoa ensina o que já sabe.

Quem é perdoado aprende o que desconhece.
*
Quem perdoa caminha adiante.

Quem é perdoado não sai do lugar.
*
Quem perdoa se faz luz.

Quem é perdoado vê o clarão.
*
Quem perdoa vence.

Quem é perdoado lutará ainda.
*
Quem perdoa se põe de pé.

Quem é perdoado precisa se levantar.
*
Quem perdoa semeia.

Quem é perdoado apenas colhe.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Pai, Perdoa-lhes!”)

CAPACIDADE DE DESAPEGO – Irmão José

O que verdadeiramente revela a tua capacidade de desprendimento não é doação material que faças aos mais necessitados…
Tampouco o que fores capaz de deixar em testamento a obras de benemerência social…
Nem a generosidade espontânea em auxiliar a quem te estender a mão na via pública…
Ou, ainda, o montante de tuas doações ao longo de toda a existência…
Além de todas as tuas importantes demonstrações de renúncia aos bens transitórios da vida, o que haverá de mostrar a tua real inclinação à difícil virtude do desapego sobre o que tens e o que és será a tua capacidade de perdoar.
Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Pai, Perdoa-lhes!”)

REDENÇÃO – Irmão José

Calar a mágoa de injusta condenação…

Ombrear a pesada cruz do testemunho…

Escutar escárnios e injúrias…

Conhecer o abandono dos amigos…

Subir o calvário, sob rudes tormentos…

Suportar o açoite da calúnia e da maledicência…

Provar o fel da mais amarga ingratidão…

Abrir os braços na mais completa renúncia…

E, por fim, perdoar!…

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Pai, Perdoa-lhes!”)

VELHAS FERIDAS – Irmão José

Quando te dispuseres ao diálogo com alguém, não lhe remexas em velhas feridas, recordando episódios desagradáveis de que ele foi protagonista.
Evita causar-lhe constrangimentos, rememorando acontecimentos infelizes que, de maneira direta ou indireta, o envolveram.
A caridade do esquecimento, em relação às faltas alheias, é virtude em que mais devemos nos empenhar para colocar em prática.
Se a própria Lei Divina, a fim de que possamos reerguer-nos para a Vida, nos concede a bênção do olvido, em relação aos erros cometidos no passado, por que haveríamos de negar a mesma oportunidade aos nossos irmãos que caíram?
Em qualquer circunstância, nos valermos das mazelas alheias como trunfo ou objeto de chantagem, para nos colocarmos em situação de superioridade e privilégio, é pôr à mostra uma das piores características de nossa personalidade.
Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Pai, Perdoa-lhes!”)