CAPÍTULO 101 – OUVISTES? – EMMANUEL

“Tenho-vos dito estas coisas, para que vos não escandalizeis.” – Jesus. (João, 16:1.)

Antes de retornar às Esferas Resplandecentes, o Mestre Divino não nos deixou ao desamparo, quanto às advertências no trabalho a fazer.

Quando o espírito amadurecido na compreensão da obra redentora se entrega ao campo de serviço evangélico, não prescinde das informações prévias do Senhor.

É indispensável ouvi-las para que se não escandalize no quadro das obrigações comuns.

Esclareceu-nos a palavra do Mestre que, enquanto perdurasse a dominação da ignorância no mundo, os legítimos cultivadores dos princípios da renovação espiritual, por Ele trazidos, não seriam observados com simpatia. Seriam perseguidos sem tréguas pelas forças da sombra. Compareceriam a tribunais condenatórios para se inteirarem das falsas acusações dos que se encontram ainda incapacitados de maior entendimento. Suportariam remoques de familiares, estranhos à iluminação interior. Sofreriam a expulsão dos templos organizados pela pragmática das seitas literalistas. Escutariam libelos gratuitos das inteligências votadas ao escárnio das verdades divinas. Viveriam ao modo de ovelhas pacíficas entre lobos famulentos. Sustentariam guerra incessante contra o mal. Cairiam em ciladas torpes. Contemplariam o crescimento do joio ao lado do trigo. Identificariam o progresso efêmero dos ímpios. Carregariam consigo as marcas da cruz. Experimentariam a incompreensão de muitos. Sentiriam solidão nas horas graves. Veriam, de perto, a calúnia, a pedrada, a ingratidão…

O Mestre Divino, pois, não deixou os companheiros e continuadores desavisados.

Não oferecia a nenhum aprendiz, na Terra, a coroa de rosas sem espinhos. Prometeu-lhes luta edificante, trabalho educativo, situações retificadoras, ensejos de iluminação, através da grandeza do sacrifício que produz elevação e do espírito de serviço que estabelece luz e paz.

É importante, desse modo, para quantos amadureceram os raciocínios na luta terrestre, a viva recordação das advertências do Cristo, no setor da edificação evangélica, para que se não escandalizem nos testemunhos difíceis do plano individual.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 132 – EM TUDO – EMMANUEL

“Tornando-nos recomendáveis em tudo: na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias”. – Paulo. (2ª Epístola aos Coríntios, 6:4.)

A maioria dos aprendizes do Evangelho não encara seriamente o fundo religioso da vida, senão nas atividades do culto exterior. Na concepção de muitos bastará frequentar, assíduos, as assembleias da fé e todos os enigmas da alma estarão decifrados, no capítulo das relações com Deus.

Entretanto, os ensinamentos do Cristo apelam para a renovação e aprimoramento individual em todas as circunstâncias.

Que dizer de um homem, aparentemente contrito nos atos públicos da confissão religiosa a que pertence e mergulhado em palavrões no santuário doméstico? Não são poucos os que se declaram crentes, ao lado da multidão, revelando-se indolentes no trabalho, desesperados na dor, incontinentes na alegria, infiéis nas facilidades e blasfemos nas angústias do coração.

Por que motivo pugnaria Jesus pela formação dos seguidores tão-só para ser incensado por eles, durante algumas horas da semana, em genuflexão? Atribuir ao Mestre semelhante propósito seria rebaixar-lhe os sublimes princípios.

É indispensável que os aprendizes se tornem recomendáveis em tudo, revelando a excelência das ideias que os alimentam, tanto em casa, quanto nas igrejas, tanto nos serviços comuns, quanto nas vias públicas.

Certo, ninguém precisará viver exclusivamente de mãos-postas ou de olhar fixo no firmamento; todavia, não nos esqueçamos de que a gentileza, a boa-vontade, a cooperação e a polidez são aspectos divinos da oração viva no apostolado do Cristo.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

SEM ALICERCE – Irmão José

Sem o alicerce da dificuldade que te fortalece…

Da prova que te retempera…

Da luta que te prepara…

Do obstáculo que te desafia…

Do suor que te aprimora…

Da crítica que te vigia…

Do silêncio que te protege…

Da dor que te reajusta…

Do fracasso que te ensina…

O edifício espiritual que pretendes construir não se erguerá em linhas arquitetônicas harmoniosas e seguras.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Ajuda-te e o Céu te Ajudará”)

DESCENDÊNCIA BIOLÓGICA E ESPIRITUAL – Irmão José

“O mandamento: ‘Honrai a vosso pai e a vossa mãe’ é um corolário da lei geral de caridade e de amor ao próximo, visto que não pode amar o seu próximo aquele que não ama a seu pai e a sua mãe…” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XIV – Honrai a vosso pai e a vossa mãe.)

Numerosos são aqueles que reclamam de uma educação ineficiente que teriam recebido de seus genitores, determinando as limitações intelecto-morais que lhes caracterizam a existência no corpo.

Outros muitos chegam a culpá-los pela condição genética deficitária em que renasceram, sem que, através da reencarnação, ao terem assim retornado à Terra, nada possam fazer para alterar a própria condição.

Sem dúvida, em nova existência, quase todos os que retomam o corpo carnal se veem sujeitos às leis da matéria, quando, com as suas qualidades de espírito, ainda não disponham de recursos para a elas se sobreporem.

Igualmente, não se pode negar que a influência do meio é fator a pesar na formação do caráter, e mesmo no menor ou maior desenvolvimento da inteligência daquele que retorna à liça no mundo.

Não obstante, precisamos considerar que todos esses fatores, e outros mais, submetem o espírito destituído de mérito, ou de aquisições anteriores, para fazer com que as circunstâncias da reencarnação o favoreçam conforme ele desejaria ser favorecido.

Na esteira destas reflexões, porém, é-nos lícito formular duas indagações a nós mesmos, a respeito do que, na construção do destino, verdadeiramente, consideramos vantagem ou desvantagem para o espírito imortal.

– Até onde um corpo plenamente saudável – e portador de inegáveis atrativos físicos – seria capaz de nos auxiliar na vitória que pretendemos contra as tendências de ordem inferior?!

– O que haveríamos de fazer com um cérebro que nos predispusesse a maior agilidade de pensamento, sem que, sobre as nossas próprias faculdades intelectivas, tivéssemos qualquer ascensão de ordem moral?!

No entanto, se tais elucubrações não nos forem capazes de satisfazer, não olvidemos que corpo e meio sociocultural em que o homem vive no mundo, tanto quanto desenvolvimento intelecto-moral, na gleba da reencarnação, representam colheita de semeadura previamente efetuada por ele.

Isto porque, acima das leis cegas da matéria, vigem as Leis que, com base na Lei de Causa e Efeito, determinam a afinidade entre os espíritos que se buscam na experiência reencarnatória, mais que biologicamente, descendendo espiritualmente uns dos outros.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

AS PROVAS RUDES – Irmão José

“As provas rudes, ouvi-me bem, são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do espírito, quando aceitas com o pensamento em Deus.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XIV – Honrai a vosso pai e a vossa mãe.)

A noite mais escura é o berço da alvorada.

Sob o calor do fogo, o barro se aprimora.

Na cova em que perece é que a semente germina.

Depois de forte canícula, desaba a tempestade.

O extremo de uma estrada é o começo de outra.

O abismo mais profundo termina em terra firme.

Atingindo o seu ápice, toda dor começa a decrescer.

Para o espírito, as provas mais rudes são as que lhe prenunciam o fim do sofrimento.

Está escrito: “Acaso tenho eu prazer na morte do perverso? diz o Senhor Deus; não desejo eu antes que ele se converta dos seus caminhos, e viva?”

Assim, se consideras que muito estejas sofrendo, não te desalentes.

Resigna-te e espera um pouco mais, que a extinção do mal que há muito te atormenta está prestes a se dar.

Forças invisíveis permanecem trabalhando o pensamento do teu algoz, e, logo, o ânimo com que ele te persegue haverá de arrefecer.

Os maiores obstáculos que te impedem seguir caminhada também estão sujeitos à lei do desgaste, e não resistirão à ação avassaladora do tempo.

Justo quando mais se agrava é que todo problema pede imediata solução.

É o quadro clínico do paciente que determina a conveniência, ou não, de uma intervenção cirúrgica.

Por sobre a Terra, onde até mesmo a alegria é transitória, não há ninguém que se esgote derramando lágrimas.

Carrega, pois, a tua cruz um pouco mais adiante.

Na véspera de vencer, não desistas de lutar.

Por mais intrincado seja, todo labirinto tem uma porta de saída.

Não há êxito algum que não tenha sido antecedido por alguma espécie de fracasso.

Confia que, entre um minuto e outro, Deus pode converter o universo de tua desdita em felicidade.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

O FARDO – Irmão José

“O fardo parece menos pesado quando se olha para o alto, do que quando se curva para a terra a fronte.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IX – Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos.)

Vejamos que o texto acima, de autoria de um Espírito Amigo, não nos diz que o fardo não seja pesado, mas, sim, que, quando tomamos a iniciativa de olharmos para o Alto, ele nos parece menos pesado.

Não nos iludamos, portanto, imaginando que a Terra seja um oásis de paz, onde o espírito encarnado possa viver sem lutar.

Mesmo o reino vegetal e o animal estão constantemente empenhados em ferrenha batalha pela sobrevivência, que enseja ao princípio espiritual oportunidade de evoluir.

Contudo, quando verticalizamos a visão e deixamos de nos fixar nos horizontes estreitos do entendimento, adquirimos muito mais vasta compreensão do angustiante problema do sofrimento.

Quem não consegue levantar os olhos para tudo enxergar além das aparências e da transitoriedade em que os fenômenos de dor se manifestam, não consegue vislumbrar o objetivo superior com que, a fim de avançar, todas as coisas e todos os seres são fustigados.

Quando, porém, num golpe de visão, logramos contemplar a grandeza do futuro a que estamos destinados, todas as aflições que, no presente, nos preparam para alcançá-lo, assemelham-se a querelas que somente adquirem valor à exata medida em que as valorizamos com as nossas queixas e lamentos.

A questão é que, para quem sofre, sem atinar com a causa transcendente do sofrimento, o tempo parece se eternizar e, com ele, por menor que seja, o próprio sofrimento que nos acomete.

Agindo quase sempre equivocadamente, como é que haveríamos de querer não padecer as consequências de nossa falta de discernimento, se a essas mesmas consequências é que passamos a dever a possibilidade de reparar os erros que cometemos?!

Se a criança, ao cair, não experimentasse qualquer sintoma de dor decorrente de sua queda, é possível que ela não se esforçasse para adquirir o equilíbrio que a mantém em pé e que a faz aprender a caminhar.

É a dor que nos ensina a excelência do amor.

Fujamos, assim, de interpretar as provações como algo que, embora devamos evitar a todo custo, não nos convém maldizer quando chegam, porque a verdade é que, enquanto não soubermos abençoá-las, elas haverão de permanecer conosco cumprindo o seu papel.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

SIMPLESMENTE, Alívio – Irmão José

SIMPLESMENTE, ALÍVIO

“Foi isso que levou Jesus a dizer: ‘Vinde a mim todos vós que estais fatigados, que eu vos aliviarei’ – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VI – O Cristo Consolador.)

“Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo.”

Com tais palavras, Jesus não está a nos prometer o que Ele não pode cumprir, em substituição ao nosso esforço pessoal.

Nos campos evolutivos da Vida, por maior seja a sua capacidade de amar, nenhum espírito logra impedir que outro trave as suas próprias lutas a fim de ascender.

O Cristo nos aponta o caminho para os Cimos, de modo a que possamos caminhar sem equívocos na direção da luz; todavia, Ele não nos suprimirá da caminhada que nos compete efetuar sangrando os pés.

Eximir alguém da prova indispensável ao seu progresso seria o mesmo que negar ao aprendiz acesso aos bancos escolares, condenando-o à eterna ignorância.

Revivendo a Mensagem Cristã, o Espiritismo não nos acena com as teorias ilusórias que, com a finalidade de ganhar adeptos, outras crenças religiosas formulam a quem não possui suficiente maturidade para entender que o espírito é o construtor do próprio destino.

Prometendo-nos simplesmente alívio, o Cristo, que jamais nos engana, nos garante que, caso venhamos a Ele recorrer, Nele haveremos de encontrar o suplemento de força que não nos deixe esmorecer sob a cruz que ombreamos.

Mesmo o médico não consegue curar o paciente cujo organismo não responda à ação dos medicamentos prescritos por ele.

A solução definitiva para qualquer um de nossos problemas passa, necessariamente, pelo nosso empenho em solucioná-los, que tão mais depressa o serão quanto maior seja a nossa boa vontade em tê-los resolvidos.

Uma palavra de coragem que alguém nos dirija, evidentemente, não afasta de nossos caminhos os percalços que necessitamos enfrentar, mas pode nos aliviar em nossa carga de aflição e desespero, impedindo que a falta de serenidade concorra para o agravamento de nossas dificuldades.

Não esperemos, portanto, que o Senhor ou os seus Prepostos descruzem os braços por nós e nos poupem do trabalho intransferível que, a fim de obter o que desejamos, cada um de nós somos chamados a executar.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)