CAPÍTULO 114 – NOVOS ATENIENSES – EMMANUEL

“Mas quando ouviram falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam e outros diziam: acerca disso te ouviremos outra vez.” – (Atos, 17:32.)

O contacto de Paulo com os atenienses, no Areópago, apresenta lição interessante aos discípulos novos.

Enquanto o apóstolo comentava as suas impressões da cidade célebre, aguçando talvez a vaidade dos circunstantes, pelas referências aos santuários e pelo jogo sutil dos raciocínios, foi atentamente ouvido. É possível que a assembleia o aclamasse com fervor, se sua palavra se detivesse no quadro filosófico das primeiras exposições. Atenas reverenciá-lo-ia, então, por sábio, apresentando-o ao mundo na moldura especial de seus nomes inesquecíveis.

Paulo, todavia, refere-se à ressurreição dos mortos, deixando entrever a gloriosa continuação da vida, além das ninharias terrestres. Desde esse instante, os ouvintes sentiram-se menos bem e chegaram a escarnecer-lhe a palavra amorosa e sincera, deixando-o quase só.

O ensinamento enquadra-se perfeitamente nos dias que correm. Numerosos trabalhadores do Cristo, nos diversos setores da cultura moderna, são atenciosamente ouvidos e respeitados por autoridades nos assuntos em que se especializaram; contudo, ao declararem sua crença na vida além do corpo, em afirmando a lei de responsabilidade, para lá do sepulcro, recebem, de imediato, o riso escarninho dos admiradores de minutos antes, que os deixam sozinhos, proporcionando-lhes a impressão de verdadeiro deserto.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

REENCARNAÇÃO E RESSURREIÇÃO – Irmão José

“Designavam (os judeus) pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama reencarnação.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IV – Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo.)

A ressurreição, tal qual creem os judeus para o Dia do Juízo Final, evidentemente, não pode ser de ordem física, posto que, caso assim viesse a acontecer, tal fenômeno seria completamente antagônico à razão e ao bom senso.

Todavia, não podemos negar que a Reencarnação, ou seja, a volta do espírito sucessivas vezes a um novo corpo, “especialmente formado para ele”, seja veículo para a sua ressurreição moral.

A questão apenas não está filosoficamente bem posta, visto que ressurreição e reencarnação não são condições doutrinárias inconciliáveis quanto se imagina.

O espírito, segundo o Espiritismo, reencarna para ressurgir – retoma o corpo carnal, quantas vezes necessárias, para que, um dia, possa espiritualmente renascer.

Sem renascimento físico, o renascimento espiritual se faz impossível.

A doutrina do Juízo Final, que afirma que todos os espíritos permanecem adormecidos, até que sejam submetidos a julgamento, não se sustenta nem mesmo no Antigo Testamento, visto que, em suas páginas, sendo constantes as aparições dos espíritos dos “mortos”, claro fica que eles não dormiram…

O profeta Samuel, por exemplo, que a pitonisa de Endor “fez subir” para encontrar-se com o rei Saul, que o evocava, não estava adormecido.

Como não estavam adormecidos Moisés e Elias quando, ao lado de Jesus, materializaram-se no Monte Tabor.

Igualmente, não estava adormecido o espírito que lutou com José, filho de Isaque, e o feriu em seu calcanhar.

Não obstante, forçoso é admitirmos que não acontece, sem a reencarnação, o despertar espiritual do espírito – que podemos perfeitamente designar por ressurreição – que, justamente, o habilite a deixar de viver no corpo carnal perecível.

O espírito, do ponto de vista literal, à espera da Vida Eterna, não permanece adormecido. Mas a verdade é que, sob o aspecto da lucidez que, nas sendas da Evolução, a ele compete alcançar, a maioria, seja de olhos abertos ou fechados, continua dormindo.

A ressurreição, pois, dá-se através de corpos espirituais cada vez mais sutis, até que, ressurgindo plenamente de si mesmo, o espírito, por fim, se identifique com o Cristo, o Divino Ressuscitado.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)