CAPÍTULO 20 – PORTA ESTREITA – EMMANUEL

“Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.” – Jesus. (Lucas, 13:24.)

Antes da reencarnação necessária ao progresso, a alma estima na “porta estreita” a sua oportunidade gloriosa nos círculos carnais.

Reconhece a necessidade do sofrimento purificador. Anseia pelo sacrifício que redime. Exalta o obstáculo que ensina. Compreende a dificuldade que enriquece a mente e não pede outra coisa que não seja a lição, nem espera senão a luz do entendimento que a elevará nos caminhos infinitos da vida.

Obtém o vaso frágil de carne, em que se mergulha para o serviço de retificação e aperfeiçoamento.

Reconquistando, porém, a oportunidade da existência terrestre, volta a procurar as “portas largas” por onde transitam as multidões.

Fugindo à dificuldade, empenha-se pelo menor esforço.

Temendo o sacrifício, exige a vantagem pessoal. Longe de servir aos semelhantes, reclama os serviços dos outros para si.

E, no sono doentio do passado, atravessa os campos de evolução, sem algo realizar de útil, menosprezando os compromissos assumidos.

Em geral, quase todos os homens somente acordam quando a enfermidade lhes requisita o corpo às transformações da morte.

“Ah! se fosse possível voltar!…” – pensam todos.

Com que aflição acariciam o desejo de tornar a viver no mundo, a fim de aprenderem a humildade, a paciência e a fé!… com que transporte de júbilo se devotariam então à felicidade dos outros!…

Mas… é tarde. Rogaram a “porta estreita” e receberam-na, entretanto, recuaram no instante do serviço justo. E porque se acomodaram muito bem nas “portas largas”, volvem a integrar as fileiras ansiosas daqueles que procuram entrar, de novo, e não conseguem.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 127 – LEI DE RETORNO – EMMANUEL

“E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação.” – Jesus. (João, 5:29.)

Em raras passagens do Evangelho, a lei reencarnacionista permanece tão clara quanto aqui, em que o ensino do Mestre se reporta à ressurreição da condenação.

Como entenderiam estas palavras os teólogos interessados na existência de um inferno ardente e imperecível?

As criaturas dedicadas ao bem encontrarão a fonte da vida em se banhando nas águas da morte corporal. Suas realizações do porvir seguem na ascensão justa, em correspondência direta com o esforço perseverante que desenvolveram no rumo da espiritualidade santificadora, todavia, os que se comprazem no mal cancelam as próprias possibilidades de ressurreição na luz.

Cumpre-lhes a repetição do curso expiatório.

É a volta à lição ou ao remédio.

Não lhes surge diferente alternativa.

A lei de retorno, pois, está contida amplamente nessa síntese de Jesus.

Ressurreição é ressurgimento. E o sentido de renovação não se compadece com a teoria das penas eternas.

Nas sentenças sumárias e definitivas não há recurso salvador. Através da referência do Mestre, contudo, observamos que a Providência Divina é muito mais rica e magnânima que parece.

Haverá ressurreição para todos, apenas com a diferença de que os bons tê-la-ão em vida nova e os maus em nova condenação, decorrente da criação reprovável deles mesmos.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

POR AÇÃO DA LEI – Irmão José

“A riqueza é um meio de o experimentar moralmente. Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVI – Não se pode servir a Deus e a Mamon.)

Sem dúvida, por sobre a Terra, não há quem detenha a posse absoluta de cousa alguma que não possa entesourar no coração.

Por ação das sábias Leis Divinas, a se expressarem na reencarnação, determinado espírito se infiltra no seio de certo grupo familiar avaro e lhe dissipa o patrimônio, fazendo com que, em favor do progresso comum, o dinheiro volte a circular.

Claro que o espírito infiltrado, agindo, aparentemente, em prejuízo material do referido grupo, termina por auxiliar os seus componentes a se libertarem da ambição que, por muito tempo, poderiam continuar cultivando.

Em relação à fortuna acumulada, ocorre o mesmo que acontece no campo do preconceito racial, e, consequentemente, cultural e religioso da Humanidade, quando, com o intuito de desfazer determinados quistos de natureza étnica e ética, alguns espíritos, encarregados de renovar as ideias e concepções cristalizadas de um povo, tomam corpo em sua descendência consanguínea.

Quase todos os impérios econômicos que se levantam na Terra, principalmente à custa da exploração alheia, são derrubados de dentro para fora, e não de fora para dentro.

Temendo a chegada de invasores, o homem pode colocar cercas em seu quintal, mas não logra impedir que, através das invisíveis portas de acesso da reencarnação, o seu desafeto se torne criança, a crescer no suposto resguardado ambiente de sua casa.

Inútil, pois, que o homem continue insistindo na manutenção de valores, que são transitórios, porque, cada vez mais, do Plano Espiritual para a Terra, as fronteiras ideológicas pelas quais ele se bate vêm sendo jogadas ao chão.

Da própria atração sexual, no fascínio das formas perecíveis, as Leis Divinas vêm se valendo para concretizar o seu plano de miscigenação que, tal qual já vem ocorrendo, há de promover a verdadeira integração da raça humana, em que corpos e idiomas, hábitos e costumes se misturam.

Conspirando uns contra os outros, os homens não passam de agentes da Conspiração Divina para a felicidade de todos, sem a exclusão de um só dos filhos de Deus.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

REENCARNAÇÃO E EGOÍSMO – Irmão José

“Há pessoas a quem repugna a reencarnação, com a ideia de que outros venham a partilhar das afetuosas simpatias de que são ciosas. Pobres irmãos! O vosso afeto vos torna egoístas; o vosso amor se restringe a um círculo íntimo de parentes e de amigos, sendo-vos indiferentes os demais.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XI – Amar o próximo como a si mesmo.)

Muitos dentre os homens continuam querendo que a Vida seja como querem que ela seja, e não como Deus a fez.

Sob este ângulo de observação, muitos se recusam à crença na Reencarnação, porque a sua existência seria um golpe de morte em seus propósitos personalistas.

A ideia de que um espírito – que não se deseja ver nem à distância – possa vir habitar sob o mesmo teto, partilhando, inclusive, da mesma genética do grupo consanguíneo, para muitos, não deixa de ser absurda.

Contudo, a Reencarnação, que é a mais sábia de todas as Leis, não consulta a quem seja a respeito de suas preferências existenciais, e promove, à revelia dos preconceituosos, a miscigenação espiritual que, no Grande Futuro, há de tornar a todos verdadeiros irmãos.

Embora coexistindo com a própria realidade das Leis Universais, a Reencarnação ainda não logrou maior aproximação entre os homens, porque a tanto, inclusive, vêm se opondo as leis da matéria, que, de todas as maneiras, nos mundos inferiores, subjugam os espíritos.

Dos Dois Lados da Vida, os espíritos mais afins lutam para manter o clã, rejeitando a chegada de desconhecidos que repelem veementemente, como elementos estranhos ao meio. Isto, porém, é próprio da natureza daqueles que ainda não se distanciaram suficientemente de sua animalidade.

Daí o motivo de as Leis Divinas, periodicamente, suscitarem certos acontecimentos que, sob os auspícios das necessidades da carne, forçam a aproximação de grupos de espíritos que devem ampliar a sua capacidade de relacionamento afetivo, em vistas à maior fraternidade do porvir.

Atualmente, com o fenômeno da globalização, a Reencarnação vem se deparando com mais portas abertas, que, assim, haverão de lhe facilitar o trabalho de efetuar o congraçamento entre as criaturas.

Com o natural enfraquecimento dos preconceitos, notadamente os de raça e condição social, os espíritos, doravante, segundo cremos, aproveitarão mais o ensejo de seu regresso à Terra, e a experiência reencarnatória há de lhes ser muito mais produtiva.

A verdade é que a reencarnação, embora seja essencial à evolução dos espíritos, praticamente, até os dias atuais da Humanidade, acontecendo sem prejuízo quantitativo para o fenômeno em si, não vem se dando com a qualidade que, daqui para frente, esperamos que se dê.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

QUASE ANJOS – Irmão José

“Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação, como o pensam certas pessoas. Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados. O princípio oposto, sim, os destrói.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IV – Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo.)

Para que alcance a Perfeição, o espírito carece de harmonizar-se com toda a Criação e considerar como sua a Grande Família Universal.

Trata-se de um equívoco imaginar que o espírito possa redimir-se por completo, mergulhando na plena claridade das Alturas, deixando problemas esquecidos nos vales ensombrados da existência.

Chegado a determinado ponto evolutivo, o espírito, sem que retroceda para o resgate de débitos que ficaram pendentes no pretérito, não mais logrará avançar.

Por este motivo, vemos muitos espíritos de considerável hierarquia escondendo as suas asas de quase anjos, e, outra vez, envergar a escura libré da carne, sobraçando a cruz de ingentes sacrifícios, a fim de que possam dar libertador e decisivo passo na direção do porvir iluminado.

Não retornam eles apenas por devotamento àqueles que, sobre a Terra, se arrastam nas retaguardas evolutivas, mas também porque ainda lhes faltam mais profundos ajustes com a própria consciência, que ainda não os liberou de todo no que diz respeito à sua dívida para com a Humanidade.

Sem a bênção, pois, do renascimento físico, o espírito não daria continuidade ao seu crescimento interior, expandindo a sua capacidade de amar os semelhantes, já que nem aos familiares mais próximos ele conseguiria amar como deve amar a si mesmo.

A Reencarnação é a Escola do Amor, porque a capacidade de amar é a conquista última a ser realizada pelo espírito, que não ascenderá apenas sob o aval de seus conhecimentos em transcendência.

Somente após o seu aprendizado de amor no clã familiar, o espírito estará habilitado para amar os que lhe integram a família humana na Terra, para, em seguida, exercer o seu amor em relação às humanidades pertencentes a outros orbes.

Portanto, com a Reencarnação, os laços de família, além de se fortalecerem na Terra e para lá dela, ampliam-se consideravelmente, fazendo com que o Universo se transforme num grande lar, dentro do qual todos, efetivamente, sejam irmãos.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)