CAPÍTULO 32 – EM NOSSA LUTA – EMMANUEL

“Segundo o poder que o Senhor me deu para edificação, e não para destruição.” – Paulo. (II Coríntios, 13:10.)

Em nossa luta diária, tenhamos suficiente cuidado no uso dos poderes que nos foram emprestados pelo Senhor.

A ideia de destruição assalta-nos a mente em ocasiões incontáveis.

Associações de forças menos esclarecidas no bem e na verdade?

Somos tentados a movimentar processos de aniquilamento.

Companheiros menos desejáveis nos trabalhos de cada dia?

Intentamos abandoná-los de vez.

Cooperadores endurecidos?

Deixá-los ao desamparo.

Manifestações apaixonadas, em desacordo com os imperativos da prudência evangélica?

Nossos ímpetos iniciais resumem-se a propósitos de sufocação violenta.

Algo que nos contrarie as ideias e os programas pessoais?

Nossa intolerância cristalizada reclama destruição.

Entretanto, qual a finalidade dos poderes que repousam em nossas mãos, em nome do Divino Doador?

Responde-nos Paulo de Tarso, com muita propriedade, esclarecendo-nos que recebeu faculdades do Senhor para edificar e não para destruir.

Não estamos na obra do mundo para aniquilar o que é imperfeito, mas para completar o que se encontra inacabado.

Renovemos para o bem, transformemos para a luz.

O Supremo Pai não nos concede poderes para disseminarmos a morte. Nossa missão é de amor infatigável para a Vida Abundante.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 180 – CRÊ E SEGUE – EMMANUEL

“Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.” – Jesus. (João, 17:18.)

Se abraçaste, meu amigo, a tarefa espiritista-cristã, em nome da fé sublimada, sedento de vida superior, recorda que o Mestre te enviou o coração renovado ao vasto campo do mundo para servi-lo.

Não só ensinarás o bom caminho. Agirás de acordo com os princípios elevados que apregoas.

Ditarás diretrizes nobres para os outros, contudo, marcharás dentro delas, por tua vez.

Proclamarás a necessidade de bom ânimo, mas seguindo, estrada afora, semeando alegrias e bênçãos, ainda mesmo quando incompreendido de todos.

Não te contentarás em distribuir moedas e benefícios imediatos. Darás sempre algo de ti mesmo ao que necessita.

Não somente perdoarás. Compreenderás o ofensor, auxiliando-o a reerguer-se.

Não criticarás. Encontrarás recursos inesperados de ser útil.

Não deblaterarás. Valer-te-ás do tempo para materializar os bons pensamentos que te dirigem.

Não disputarás inutilmente. Encontrarás o caminho do serviço aos semelhantes em qualquer parte.

Não viverás simplesmente no combate palavroso contra o mal. Reterás o bem, semeando-o com todos.

Não condenarás. Descobrirás a luz do amor para fazê-la brilhar em teu coração, até o sacrifício.

Ora e vigia.

Ama e espera.

Serve e renuncia.

Se não te dispões a aproveitar a lição do Mestre Divino, afeiçoando a própria vida aos seus ensinamentos, a tua fé terá sido vã.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 178 – COMBATE INTERIOR

“Tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e agora ouvis estar em mim.” – Paulo. (Filipenses, 1:30.)

Em plena juventude, Paulo terçou armas contra as circunstâncias comuns, de modo a consolidar posição para impor-se no futuro da raça. Pelejou por sobrepujar a inteligência de muitos jovens que lhe foram contemporâneos, deixou colegas e companheiros distanciados. Discutiu com doutores da Lei e venceu-os. Entregou-se à conquista de situação material invejável e conseguiu-a.

Combateu por evidenciar-se no tribunal mais alto de Jerusalém e sobrepôs-se a velhos orientadores do povo escolhido. Resolveu perseguir aqueles que interpretava por inimigos da ordem estabelecida e multiplicou adversários em toda parte. Feriu, atormentou, complicou situações de amigos respeitáveis, sentenciou pessoas inocentes a inquietações inomináveis, guerreou pecadores e santos, justos e injustos…

Surgiu, contudo, um momento em que o Senhor lhe convoca o espírito a outro gênero de batalha – o combate consigo mesmo.

Chegada essa hora, Paulo de Tarso cala-se e escuta…

Quebra-se-lhe a espada nas mãos para sempre.

Não tem braços para hostilizar e sim para ajudar e servir.

Caminha, modificado, em sentido inverso. Ao invés de humilhar os outros, dobra a própria cerviz.

Sofre e aperfeiçoa-se no silêncio, com a mesma disposição de trabalho que o caracterizava nos tempos de cegueira.

É apedrejado, açoitado, preso, incompreendido muitas vezes, mas prossegue sempre, ao encontro da Divina Renovação.

Se ainda não combates contigo mesmo, dia virá em que serás chamado a semelhante serviço.

Ora e vigia, prepara-te e afeiçoa o coração à humildade e à paciência. Lembra-te, meu irmão, de que nem mesmo Paulo, agraciado pela visita pessoal de Jesus, conseguiu escapar.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 167 – ENTENDIMENTO – EMMANUEL

“Transformai-vos pela renovação do vosso entendimento.” – Paulo. (Romanos, 12:2.)

Quando nos reportamos ao problema da transformação espiritual, a comunidade dos discípulos do Evangelho concorda conosco, quanto a semelhante necessidade, mas nem todos demonstram perfeita compreensão do assunto.

No fundo, todos anelam a modificação, no entanto, a maioria não aspira senão à mudança de classificação convencional.

Os menos favorecidos pelo dinheiro buscam escalar o domínio das possibilidades materiais, os detentores de tarefas humildes pleiteiam as grandes posições e, num crescendo desconcertante, quase todos pretendem a transformação indébita das oportunidades a que se ajustam, mergulhando na desordem inquietante.

A renovação indispensável não é a de plano exterior flutuante. Transformar-se-á o cristão devotado, não pelos sinais externos, e sim pelo entendimento, dotando a própria mente de nova luz, em novas concepções.

Assim como qualquer trabalho terrestre pede a sincera aplicação dos aprendizes que a ele se dedicam, o serviço de aprimoramento mental exige constância de esforço no bem e no conhecimento.

Ainda aqui, é forçoso reconhecer que a disciplina entrará com fatores decisivos.

Não te cristalizes, pois, em falsas noções que já te prejudicaram o dia de ontem.

Repara a estrutura dos teus raciocínios de agora, ante as circunstâncias que te rodeiam.

Pergunta a ti próprio quanto ganhaste no Evangelho para analisar retamente esse ou aquele acontecimento de teu caminho. Faze isto e a Bondade do Senhor te auxiliará na esclarecedora resposta a ti mesmo.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 135 – RENOVAÇÃO NECESSÁRIA – EMMANUEL

“Não extingais o Espírito.” – Paulo. (1ª Epístola aos Tessalonicenses, 5:19.)

Quando o apóstolo dos gentios escreveu esta exortação, não desejava dizer que o Espírito pode ser destruído, mas procurava renovar a atitude mental de quantos vivem sufocando as tendências superiores.

Não raro, observamos criaturas que agem contra a própria consciência, a fim de não se categorizarem entre os espirituais. Entretanto, as entidades encarnadas permanecem dentro de laborioso aprendizado, para se erguerem do mundo na qualidade de espíritos gloriosos. Esta é a maior finalidade da escola humana.

Os homens, contudo, demoram-se largamente à distância da grande verdade. Habitualmente, preferem o convencionalismo a rigor e, somente a custo, abrem o entendimento às realidades da alma. Os costumes, efetivamente, são elementos poderosos e determinantes na evolução, todavia, apenas quando inspirados por princípios de ordem superior.

É necessário, portanto, não asfixiarmos os germens da vida edificante que nascem, todos os dias, no coração, ao influxo do Pai Misericordioso.

Irmãos nossos existem que regressam da Terra pela mesma porta da ignorância e da indiferença pela qual entraram. Eis por que, no balanço das atividades de cada dia, os discípulos deverão interrogar a si mesmos: – “Que fiz hoje? acentuei os traços da criatura inferior que fui até ontem ou desenvolvi as qualidades elevadas do espírito que desejo reter amanhã?”

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 7 – TUDO NOVO – EMMANUEL

“Assim é que, se alguém está. em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” — Paulo. (2ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, capítulo 5, versículo 17.)

É muito comum observarmos crentes inquietos, utilizando recursos sagrados da oração para que se perpetuem situações injustificáveis tão-só porque envolvem certas vantagens imediatas para suas preocupações egoísticas.

Semelhante atitude mental constitui resolução muito grave.

Cristo ensinou a paciência e a tolerância, mas nunca determinou que seus discípulos estabelecessem acordo com os erros que infelicitam o mundo. Em face dessa decisão, foi à cruz e legou o último testemunho de não-violência, mas também de não-acomodação com as trevas em que se compraz a maioria das criaturas.

Não se engane o crente acerca do caminho que lhe compete.

Em Cristo tudo deve ser renovado. O passado delituoso estará morto, as situações de dúvida terão chegado ao fim, as velhas cogitações do homem carnal darão lugar a vida nova em espírito, onde tudo signifique sadia reconstrução para o futuro eterno.

É contra-senso valer-se do nome de Jesus para tentar a continuação de antigos erros.

Quando notarmos a presença de um crente de boa palavra, mas sem o íntimo renovado, dirigindo-se ao Mestre como um prisioneiro carregado de cadeias, estejamos certos de que esse irmão pode estar à porta do Cristo, pela sinceridade das intenções; no entanto, não conseguiu, ainda, a penetração no santuário de seu amor.

EMMANUEL

(psic. Chico Xavier – do livro “Caminho, Verdade e Vida”)

CAPÍTULO 5 – BASES – EMMANUEL

“Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu não te lavar, não tens parte comigo.” — (JOÃO, capítulo 13, versículo 8.)

É natural vejamos, antes de tudo, na resolução do Mestre, ao lavar os pés dos discípulos, uma demonstração sublime de humildade santificante.

Primeiramente, é justo examinarmos a interpretação intelectual, adiantando, porém, a análise mais profunda de seus atos divinos. É que, pela mensagem permanente do Evangelho, o Cristo continua lavando os pés de todos os seguidores sinceros de sua doutrina de amor e perdão.

O homem costuma viver desinteressado de todas as suas obrigações superiores, muitas vezes aplaudindo o crime e a inconsciência. Todavia, ao contacto de Jesus e de seus ensinamentos sublimes, sente que pisará sobre novas bases, enquanto que suas apreciações fundamentais da existência são muito diversas.

Alguém proporciona leveza aos seus pés espirituais para que marche de modo diferente nas sendas evolutivas.

Tudo se renova e a criatura compreende que não fora essa intervenção maravilhosa e não poderia participar do banquete da vida real.

Então, como o apóstolo de Cafarnaum, experimenta novas responsabilidades no caminho e, desejando corresponder à expectativa divina, roga a Jesus lhe lave, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.

EMMANUEL

(psic. Chico Xavier – do livro “Caminho, Verdade e Vida”)

INCLINAÇÕES INFELIZES – Irmão José

“A porta da perdição é larga, porque as más paixões são numerosas e o caminho do mal é o mais frequentado. A da salvação é estreita, porque o homem que deseja transpô-la deve fazer grandes esforços para vencer as más tendências, e poucos se resignam a isso.” – “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Cap. XVIII, item 5.

O homem é exatamente o que tem feito de si ao longo de suas vidas sucessivas; as inclinações que o arrastam para o caminho do mal são consequência de suas opções nas múltiplas experiências que vivencia…

Buscar novos caminhos e um novo direcionamento – eis o desafio que deve enfrentar, sem titubeios, no seu necessário descondicionamento de antigos vícios.

A tentação que experimenta é, pois, por assim dizer, o eco de sua desarmonia íntima em consonância com os apelos externos do mundo que habita – um plano de provas e expiações.

Não é fácil mudar, adquirir hábitos positivos, alcançar diferente compreensão da Vida!…

As necessidades criadas pelo próprio homem, muitas delas supérfluas e fictícias, fomentam esse estado de espírito que nele perdura há séculos…

Em verdade, ele vive numa repetição quase infindável em seus estágios de aprendizado no corpo, conseguindo avançar muito lentamente nas sendas do aperfeiçoamento espiritual.

Sem disciplinar-se, conter-se em seus impulsos, resistindo ao assédio das paixões e esforçando-se na renúncia do desejo, o homem não logrará transpor a porta estreita!

A reencarnação, para a maioria, de fato, tem se convertido em círculo vicioso, nas provas que o homem repisa incontáveis vezes, sem noção do real significado da vida sobre a Terra.

Por isto, a prática sistemática do Bem, nos diminutos gestos de Caridade, induz o espírito à criação de novos hábitos, para que, aos poucos, ele se liberte do comodismo e da indiferença, da ociosidade e da prostração em que há séculos se encontra.

É uma luta pela sua maioridade espiritual, a que o homem trava contra as suas inclinações infelizes – luta cuja definitiva vitória dependerá dos seus pequeninos e reiterados esforços de cada dia, no propósito de ser mais do que até então tem sido.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – livro “Pedi e Obtereis”)

DESENCARNAÇÃO – Irmão José

“A morte, inflexível, inexorável, rasga o véu sob que vos ocultáveis e vos força a prestar contas ao amigo de que vos bavíeis deslembrado e que nesse momento enverga diante de vós a toga de juiz.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVI – Não se pode servir a Deus e a Mamon.)

A sabedoria da Lei da Reencarnação somente encontra parâmetro na sabedoria da desencarnação, porquanto ambas, arrancando os espíritos ao seu comodismo, fazem com que, dos Dois Lados da Vida, eles se ponham em constante movimento.

Imaginemos se, em seu corpo físico, o espírito se eternizasse sobre a Terra, com os seus pensamentos cristalizados e hábitos arraigados… Não se sentir constrangido a deixar o envoltório material, equivaleria para ele perpetuar-se na estreiteza de suas concepções em torno do infinito da Vida.

A desencarnação, além de ser um choque biológico, induzindo o espírito a gradativo despertar, é um choque de natureza espiritual, que arrebata o espírito às ilusões fomentadas.

Quase sempre, de inesperado, subtraído ao meio em que vive, deixando para trás tudo o que – inclusive no mundo intelectual e moral – lhe mantinha o status quo, a contragosto, ele é compelido a rever os seus próprios valores.

Então, exercita-se no desapego ao que é transitório, e que, inutilmente, imagina reter consigo, aprendendo que, esteja no corpo ou não, o homem vale pelo que é, e não pelo que aparenta ser.

Se a reencarnação, muitas vezes, leva o espírito de volta ao passado, a desencarnação, que é o seu contraponto, leva-o de encontro ao futuro, para que, entre idas e vindas constantes, ele ascensione em definitivo.

No entanto, não basta reencarnar ou desencarnar, sem que, onde estiver, o espírito tome consciência de que, dos Dois Lados da Vida, ele está sempre em trânsito com as suas idéias, porque mesmo o Mundo Espiritual imediato ainda não é a sua última morada.

Quando, por fim, o homem compreender que apenas e tão-somente é o usufrutuário dos bens que Deus coloca à sua disposição, ele alijará de si todo sentimento de posse, inclusive o que o faz acreditar que possa ser o detentor da Verdade absoluta.

Porque, de fato, nada concorre mais para que ele se retarde em sua jornada evolutiva que o voluntário estacionamento em pontos de vista que, na maioria das vezes, não passam de expressões de seu limitado conhecimento das coisas.

Reencarnação e desencarnação são fenômenos que, acometendo o espírito, podem assim se comparar ao dinamismo das águas do mar, que estão em incessante movimento, impedindo que o mar, caso viesse a estagnar, se transformasse em pântano colossal.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

RECOMEÇO – Irmão José

Agradeçamos a Deus pela oportunidade do recomeço.

O que seria do homem se ele não pudesse recomeçar, a cada dia, o aprendizado da véspera?!

Sem a bênção do recomeço, como poderíamos reparar o erro, reiniciar a tarefa, retomar o caminho?!

Se caímos, reergamo-nos do chão quantas vezes se fizerem necessárias.

Não neguemos a ninguém a chance de recomeçar a sonhar, a sorrir, a ser feliz.

Todos estamos sempre a carecer de uma nova porta que se nos descerre à esperança.

Se preciso for, recomecemos todos os dias no exercício de sermos melhores do que somos, refazendo as promessas que ainda não logramos cumprir.

A cada vinte e quatro horas, o dia se renova na Terra em busca do clima perfeito.

Tenhamos a humildade de recomeçar sempre que necessário, mas, sobretudo, tenhamos a grandeza de estender aos outros a dádiva do recomeço.

A reencarnação é a bênção do recomeço para o espírito culpado!

Renovemos os nossos votos de confiança na Vida e recomecemos na construção da própria felicidade.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)