CAPÍTULO 28 – EM PEREGRINAÇÃO – EMMANUEL

“Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura.” – Paulo. (Hebreus, 13:14.)

Risível é o instinto de apropriação indébita que assinala a maioria dos homens.

Não será a Terra comparável a grande carro cósmico, onde se encontra o espírito em viagem educativa?

Se a criatura permanece na abastança material, apenas excursiona em aposentos mais confortáveis.

Se respira na pobreza, viaja igualmente com vistas ao mesmo destino, apesar da condição de segunda classe transitória.

Se apresenta notável figuração física, somente enverga efêmera vestidura de aspecto mais agradável, através de curto tempo, na jornada empreendida.

Se exibe traços menos belos ou caracterizados de evidentes imperfeições, vale-se de indumentária tão passageira quanto a mais linda roupagem do próximo, na peregrinação em curso.

Por mais que o impulso de propriedade ateie fogueiras de perturbações e discórdias, na maquinaria do mundo, a realidade é que homem algum possui no chão do Planeta domicílio permanente. Todos os patrimônios materiais a que se atira, ávido de possuir, se desgastam e transformam. Nos bens que incorpora ao seu nome, até o corpo que julga exclusivamente seu, ocorrem modificações cada dia, impelindo-o a renovar-se e melhorar-se para a eternidade.

Se não estás cego, pois, para as leis da vida, se já despertaste para o entendimento superior, examina, a tempo, onde te deixará, provisoriamente, o comboio da experiência humana, nas súbitas paradas da morte.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

POR AÇÃO DA LEI – Irmão José

“A riqueza é um meio de o experimentar moralmente. Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVI – Não se pode servir a Deus e a Mamon.)

Sem dúvida, por sobre a Terra, não há quem detenha a posse absoluta de cousa alguma que não possa entesourar no coração.

Por ação das sábias Leis Divinas, a se expressarem na reencarnação, determinado espírito se infiltra no seio de certo grupo familiar avaro e lhe dissipa o patrimônio, fazendo com que, em favor do progresso comum, o dinheiro volte a circular.

Claro que o espírito infiltrado, agindo, aparentemente, em prejuízo material do referido grupo, termina por auxiliar os seus componentes a se libertarem da ambição que, por muito tempo, poderiam continuar cultivando.

Em relação à fortuna acumulada, ocorre o mesmo que acontece no campo do preconceito racial, e, consequentemente, cultural e religioso da Humanidade, quando, com o intuito de desfazer determinados quistos de natureza étnica e ética, alguns espíritos, encarregados de renovar as ideias e concepções cristalizadas de um povo, tomam corpo em sua descendência consanguínea.

Quase todos os impérios econômicos que se levantam na Terra, principalmente à custa da exploração alheia, são derrubados de dentro para fora, e não de fora para dentro.

Temendo a chegada de invasores, o homem pode colocar cercas em seu quintal, mas não logra impedir que, através das invisíveis portas de acesso da reencarnação, o seu desafeto se torne criança, a crescer no suposto resguardado ambiente de sua casa.

Inútil, pois, que o homem continue insistindo na manutenção de valores, que são transitórios, porque, cada vez mais, do Plano Espiritual para a Terra, as fronteiras ideológicas pelas quais ele se bate vêm sendo jogadas ao chão.

Da própria atração sexual, no fascínio das formas perecíveis, as Leis Divinas vêm se valendo para concretizar o seu plano de miscigenação que, tal qual já vem ocorrendo, há de promover a verdadeira integração da raça humana, em que corpos e idiomas, hábitos e costumes se misturam.

Conspirando uns contra os outros, os homens não passam de agentes da Conspiração Divina para a felicidade de todos, sem a exclusão de um só dos filhos de Deus.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

DINHEIRO – Irmão José

“Se a riqueza é causa de muitos males, se exacerba tanto as más paixões, se provoca mesmo tantos crimes, não é a ela que devemos inculpar, mas ao homem, que dela abusa, como de todos os dons de Deus.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVI – Não se pode servir a Deus e a Mamon.)

A riqueza é o símbolo das dificuldades materiais que o espírito, com o propósito de alcançar a plenitude, necessita superar na jornada evolutiva que empreende.

Se o dinheiro, pois, não se fizesse o centro das ambições mais rasteiras do homem, outro expediente, por certo, engendrando os mesmos dramas que o dinheiro engendra, haveria de substituí-lo.

O dinheiro, em si, não passa de valor convencional que lhe é atribuído pela mente humana, porque, a rigor, o que pode valer uma cédula ou uma moeda?!

Exceto o bem que seja capaz de promover, tudo o que o dinheiro possa adquirir é tão destituído de valor quanto ele.

Todavia, a ambição que o dinheiro ocasiona pode dar ensejo a muitos males decorrentes da própria ambição de sua posse.

Crimes são cometidos…

Guerras são declaradas…

Sob outro ângulo de visão, o dinheiro, sem dúvida, talvez seja o maior criador de carmas negativos para o espírito, porquanto mesmo o prazer exacerbado não lhe dispensa o patrocínio.

Ousaríamos dizer que, ao concentrar atenção e tempo em sua conquista, ele se faz o maior empecilho no caminho da libertação espiritual de quem o deseja amontoar.

Contudo, mesmo no âmbito dos valores fictícios que lhe são atribuídos no mundo, para quem saiba utilizá-lo, o que é motivo de queda para alguns pode se transformar em causa de subida para outros.

Toda força carece de direcionamento adequado.

O ar que espalha o perfume das flores é o mesmo que pode disseminar a fumaça de natureza tóxica.

As mãos que constroem são as mesmas que podem destruir.

A boca que maldiz é a mesma que pode abençoar.

Dinheiro a serviço do Bem é a sombra a serviço da luz.

Não nos esqueçamos de que – demonstrando que, a rigor, o Bem não depende exclusivamente de dinheiro para ser praticado – nas páginas do Evangelho, não existe uma referência sequer de que Jesus, algum dia, tenha manuseado diretamente uma única moeda.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)