CAPÍTULO 104 – DIREITO SAGRADO – EMMANUEL

“Porque a vós foi concedido, em relação ao Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele.” – Paulo. (Filipenses, 1:29.)

Cooperar pessoalmente com os administradores humanos, em sentido direto, sempre constitui objeto da ambição dos servidores dessa ou daquela organização terrestre.

Ato invariável de confiança, a partilha da responsabilidade, entre o superior que sabe determinar e fazer justiça e o subordinado que sabe servir, institui a base de harmonia para a ação diária, realização essa que todas as instituições procuram atingir. Muitos discípulos do Cristianismo parecem ignorar que, em relação a Jesus, a reciprocidade é a mesma, elevada ao grau máximo, no terreno da fidelidade e da compreensão.

Mais entendimento do programa divino significa maior expressão de testemunho individual nos serviços do Mestre.

Competência dilatada – deveres crescidos.

Mais luz – mais visão.

Muitos homens, naturalmente aproveitáveis em certas características intelectuais, mas ainda enfermos da mente, desejariam aceitar o Salvador e crer nEle, mas não conseguem, de pronto, semelhante edificação íntima. Em vista da ignorância que não removem e dos caprichos que acariciam, falta-lhes a integração no direito de sentir as verdades de Jesus, o que somente conseguirão quando se reajustem, o que se faz indispensável.

Todavia, o discípulo admitido aos benefícios da crença, foi considerado digno de conviver espiritualmente com o Mestre. Entre ele e o Senhor já existe a partilha da confiança e da responsabilidade. Contudo, enquanto perseveram as alegrias de Belém e as glórias de Cafarnaum, o trabalho da fé se desdobra maravilhoso, mas, em sobrevindo a divisão das angústias da cruz, muitos aprendizes fogem receando o sofrimento e revelando-se indignos da escolha. Os que assim procedem, categorizam-se à conta de loucos, porquanto, subtrair-se à colaboração com o Cristo, é menosprezar um direito sagrado.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

QUEM COMPREENDE – Irmão José

“O dever é o mais belo laurel da razão; descende desta como de sua mãe o filho.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVII – Sede perfeitos.)

Quem compreende o valor do trabalho espiritual em sua vida, não carece de ser insistentemente chamado a fim de que cumpra com o dever que lhe compete.

Quando o homem desperta para a sua necessidade de servir, por iniciativa própria, ele empunha a charrua, e não mais para de arrotear a gleba do próprio espírito, que, então, reconhece na condição de trato de terra há muito abandonado por ele.

Ao contrário, aquele que ainda não reconheceu a situação de indigência moral que o caracteriza, julga-se dispensado de todo e qualquer esforço de melhoria íntima, sempre respondendo com evasivas a quem, com insistência, o convida a transpirar por uma causa nobre.

Infelizmente, sobre a Terra, perde-se a conta do número daqueles que consideram perda de tempo o seu engajamento em obras de benemerência, que, a rigor, seria muito mais para beneficiar a si próprios do que os que, supostamente, viessem a ser beneficiados por eles.

Feliz de quem desperta para o cumprimento do dever que – mesmo quando ligado aos compromissos familiares ou à conquista do pão da sobrevivência – transcende as obrigações corriqueiras da vida cotidiana.

Abençoado seja quem sempre procura fazer o que compreende que deve, e não somente fazer o que quer, sem nunca abdicar de seu desejo de natureza personalista – que é mais egoísmo que altruísmo, e mais conveniência que abnegação.

Sem que contrarie a si mesmo, o homem não consegue se adequar à Vontade de Deus.

No campo do dever a cumprir, a fim de justificar o seu comodismo e indiferença em relação ao próximo, o homem é hábil em empregar os mais variados sofismas, porque procura se convencer de que, fazendo o que dele a sociedade espera, a mais não se sente obrigado.

Isto se trata de engodo, porque onde termina o seu limitado dever para com a vida social de relação, começa o seu ilimitado dever para com a Humanidade.

O grau de maturidade espiritual em que o espírito se encontra pode ser medido pela sua consciência mais ou menos ampla do dever que cumpre com espontaneidade e alegria.

Todavia, embora, por vezes, esta alegria e esta espontaneidade venham a lhe faltar, nem por isto ele deve deixar de forçar os limites de sua capacidade de se doar aos semelhantes, porque o que hoje é feito sob o patrocínio da dor, amanhã o será sob os auspícios do amor.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)