CAPÍTULO 58 – CRISES – EMMANUEL

“Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora.” – Jesus. (João. 12:27.)

A lição de Jesus, neste passo do Evangelho, é das mais expressivas.

Ia o Mestre provar o abandono dos entes amados, a ingratidão de beneficiários da véspera, a ironia da multidão, o apodo na via pública, o suplício e a cruz, mas sabia que ali se encontrava para isto, consoante os desígnios do Eterno.

Pede a proteção do Pai e submete-se na condição do filho fiel.

Examina a gravidade da hora em curso, todavia, reconhece a necessidade do testemunho.

E todas as vidas na Terra experimentarão os mesmos trâmites na escala infinita das experiências necessárias.

Todos os seres e coisas se preparam, considerando as crises que virão. É a crise que decide o futuro.

A terra aguarda a charrua.

O minério será remetido ao cadinho.

A árvore sofrerá a poda.

O verme será submetido à luz solar.

A ave defrontará com a tormenta.

A ovelha esperará a tosquia.

O homem será conduzido à luta.

O cristão conhecerá testemunhos sucessivos.

É por isso que vemos, no serviço divino do Mestre, a crise da cruz que se fez acompanhar pela bênção eterna da Ressurreição.

Quando pois te encontrares em luta imensa, recorda que o Senhor te conduziu a semelhante posição de sacrifício, considerando a probabilidade de tua exaltação, e não te esqueças de que toda crise é fonte sublime de espírito renovador para os que sabem ter esperança.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 51 – NÃO SE ENVERGONHAR – EMMANUEL

“Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem.” – Jesus. (Lucas, 9:26.)

Muitos aprendizes existem satisfeitos consigo mesmos tão-somente em razão de algumas afirmativas quixotescas. Congregam-se em grandes discussões, atrabiliários e irascíveis, tentando convencer gregos e troianos, relativamente à fé religiosa e, quando interpelados sobre a fúria em que se comprazem, na imposição dos pontos de vista que lhes são próprios, costumam redarguir que é imprescindível não nos envergonharmos do Mestre, nem de seus ensinamentos perante a multidão.

Todavia, por vezes, a preocupação de preservar o Cristianismo não passa de posição meramente verbal.

Tais defensores do Cristo andam esquecidos de que, antes de tudo, é indispensável não esquecer-lhe os princípios sublimes, diante das tarefas de cada dia.

A vida de um homem é a sua própria confissão pública.

A conduta de cada crente é a sua verdadeira profissão de fé.

Muito infantis o trovão da voz e a mímica verbalista, filhos da vaidade individual, junto de ouvintes incompreensivos e complacentes, com pleno esquecimento dos necessários testemunhos com o Mestre, na oficina de trabalho comum e no lar purificador.

Torna-se indispensável não se envergonhar o aprendiz de Jesus, não em perlengas calorosas, das quais cada contendor regressa mais exasperado, mas sim perante as situações, aparentemente insignificantes ou eminentemente expressivas, em que se pede ao crente o exemplo de amor, renúncia e sacrifício pessoal que o Senhor demonstrou em sua trajetória sublime.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 8 – MARCAS – EMMANUEL

“Desde agora ninguém me moleste, porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.” – Paulo. (Gálatas, 6:17.)

Todas as realizações humanas possuem marca própria. Casas, livros, artigos, medicamentos, tudo exibe um sinal de identificação aos olhos atentos. Se medida semelhante é aproveitada na lei de uso dos objetos transitórios, não se poderia subtrair o mesmo princípio, na catalogação de tudo o que se refira à vida eterna.

Jesus possui, igualmente, os sinais dEle. A imagem utilizada por Paulo de Tarso, em suas exortações aos gálatas, pode ser mais extensa. As marcas do Cristo não são apenas as da cruz, mas também as de sua atividade na experiência comum.

Em cada situação, o homem pode revelar uma demonstração do Divino Mestre. Jesus forneceu padrões educativos em todas as particularidades da sua passagem pelo mundo. O Evangelho no-lo apresenta nos mais diversos quadros, junto ao trabalho, à simplicidade, ao pecado, à pobreza, à alegria, à dor, a glorificação e ao martírio. Sua atitude, em cada posição da vida, assinalou um traço novo de conduta para os aprendizes. Todos os dias, portanto, o discípulo pode encontrar recursos de salientar suas ações mais comuns com os registros de Jesus.

Quando termine cada dia, passa em revista as pequeninas experiências que partilhaste na estrada vulgar. Observa os sinais com que assinalaste os teus atos, recordando que a marca do Cristo é, fundamentalmente, aquela do sacrifício de si mesmo para o bem de todos.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

CAPÍTULO 104 – DIREITO SAGRADO – EMMANUEL

“Porque a vós foi concedido, em relação ao Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele.” – Paulo. (Filipenses, 1:29.)

Cooperar pessoalmente com os administradores humanos, em sentido direto, sempre constitui objeto da ambição dos servidores dessa ou daquela organização terrestre.

Ato invariável de confiança, a partilha da responsabilidade, entre o superior que sabe determinar e fazer justiça e o subordinado que sabe servir, institui a base de harmonia para a ação diária, realização essa que todas as instituições procuram atingir. Muitos discípulos do Cristianismo parecem ignorar que, em relação a Jesus, a reciprocidade é a mesma, elevada ao grau máximo, no terreno da fidelidade e da compreensão.

Mais entendimento do programa divino significa maior expressão de testemunho individual nos serviços do Mestre.

Competência dilatada – deveres crescidos.

Mais luz – mais visão.

Muitos homens, naturalmente aproveitáveis em certas características intelectuais, mas ainda enfermos da mente, desejariam aceitar o Salvador e crer nEle, mas não conseguem, de pronto, semelhante edificação íntima. Em vista da ignorância que não removem e dos caprichos que acariciam, falta-lhes a integração no direito de sentir as verdades de Jesus, o que somente conseguirão quando se reajustem, o que se faz indispensável.

Todavia, o discípulo admitido aos benefícios da crença, foi considerado digno de conviver espiritualmente com o Mestre. Entre ele e o Senhor já existe a partilha da confiança e da responsabilidade. Contudo, enquanto perseveram as alegrias de Belém e as glórias de Cafarnaum, o trabalho da fé se desdobra maravilhoso, mas, em sobrevindo a divisão das angústias da cruz, muitos aprendizes fogem receando o sofrimento e revelando-se indignos da escolha. Os que assim procedem, categorizam-se à conta de loucos, porquanto, subtrair-se à colaboração com o Cristo, é menosprezar um direito sagrado.

EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

QUEM COMPREENDE – Irmão José

“O dever é o mais belo laurel da razão; descende desta como de sua mãe o filho.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVII – Sede perfeitos.)

Quem compreende o valor do trabalho espiritual em sua vida, não carece de ser insistentemente chamado a fim de que cumpra com o dever que lhe compete.

Quando o homem desperta para a sua necessidade de servir, por iniciativa própria, ele empunha a charrua, e não mais para de arrotear a gleba do próprio espírito, que, então, reconhece na condição de trato de terra há muito abandonado por ele.

Ao contrário, aquele que ainda não reconheceu a situação de indigência moral que o caracteriza, julga-se dispensado de todo e qualquer esforço de melhoria íntima, sempre respondendo com evasivas a quem, com insistência, o convida a transpirar por uma causa nobre.

Infelizmente, sobre a Terra, perde-se a conta do número daqueles que consideram perda de tempo o seu engajamento em obras de benemerência, que, a rigor, seria muito mais para beneficiar a si próprios do que os que, supostamente, viessem a ser beneficiados por eles.

Feliz de quem desperta para o cumprimento do dever que – mesmo quando ligado aos compromissos familiares ou à conquista do pão da sobrevivência – transcende as obrigações corriqueiras da vida cotidiana.

Abençoado seja quem sempre procura fazer o que compreende que deve, e não somente fazer o que quer, sem nunca abdicar de seu desejo de natureza personalista – que é mais egoísmo que altruísmo, e mais conveniência que abnegação.

Sem que contrarie a si mesmo, o homem não consegue se adequar à Vontade de Deus.

No campo do dever a cumprir, a fim de justificar o seu comodismo e indiferença em relação ao próximo, o homem é hábil em empregar os mais variados sofismas, porque procura se convencer de que, fazendo o que dele a sociedade espera, a mais não se sente obrigado.

Isto se trata de engodo, porque onde termina o seu limitado dever para com a vida social de relação, começa o seu ilimitado dever para com a Humanidade.

O grau de maturidade espiritual em que o espírito se encontra pode ser medido pela sua consciência mais ou menos ampla do dever que cumpre com espontaneidade e alegria.

Todavia, embora, por vezes, esta alegria e esta espontaneidade venham a lhe faltar, nem por isto ele deve deixar de forçar os limites de sua capacidade de se doar aos semelhantes, porque o que hoje é feito sob o patrocínio da dor, amanhã o será sob os auspícios do amor.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)