CAPÍTULO 88 – TU E TUA CASA – EMMANUEL

“E eles disseram: Crê no Senhor Jesus-Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa.” – (Atos, 16:31.)

Geralmente, encontramos discípulos novos do Evangelho que se sentem profundamente isolados no centro doméstico, no capítulo da crença religiosa.

Afirmam-se absolutamente sós, sob o ponto de vista da fé. E alguns, despercebidos de exame sério, tocam a salientar o endurecimento ou a indiferença dos corações que os cercam. Esse reporta-se à zombaria de que é vítima, aquele outro acusa familiares ausentes.

Tal incompreensão, todavia, demonstra que os princípios evangélicos lhes enfeitam a zona intelectual, sem lhes penetrarem o âmago do coração.

Por que salientar os defeitos alheios, olvidando, por nossa vez, o bom trabalho de retificação que nos cabe, no plano da bondade oculta?

O conselho apostólico é profundamente expressivo.

No lar onde exista uma só pessoa que creia sinceramente em Jesus e se lhe adapte aos ensinamentos redentores, pavimentando o caminho pelos padrões do Mestre, aí permanecerá a suprema claridade para a elevação.

Não importa que os progenitores sejam descrentes, que os irmãos se demorem endurecidos, nem interessam a ironia, a discussão áspera ou a observação ingrata.

O cristão, onde estiver, encontra-se no domicílio de suas convicções regenerativas, para servir a Jesus, aperfeiçoando e iluminando a si mesmo.

Basta uma estaca para sustentar muitos ramos. Uma pedra angular equilibra um edifício inteiro.

Não te esqueças, pois, de que se verdadeiramente aceitas o Cristo e a Ele te afeiçoas, serás conduzido para Deus, tu e tua casa.

EMMANUEL

(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)

TESTEMUNHO – Irmão José

Todo testemunho é pessoal e intransferível.

No testemunho da fé, não existem plateias para o aplauso.

No instante decisivo da vitória sobre si, o homem estará sempre a sós com a própria consciência.

A solidão do Senhor no dia do Calvário é acontecimento que encerra as mais preciosas lições…

Se a manjedoura foi a porta de acesso ao mundo, o Calvário foi a porta de entrada para o Céu.

A cruz que o homem transporta aos ombros é o instrumento de sua elevação.

Ninguém ascenderá aos Páramos Superiores sem transfigurar em asas os braços de sua própria cruz.

O testemunho, por si só, é uma bênção a quem a ele seja convocado.

Os primeiros seguidores do Senhor regozijavam-se por terem sido considerados dignos de sofrer pelo seu Nome.

Quem foge ao testemunho necessitará de recomeçar o seu aprendizado espiritual pelas lições mais rudimentares.

À espera do Grande Testemunho perante Deus, não olvidemos os testemunhos menores a que somos chamados em contato com os semelhantes.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)

SOLIDÃO – Irmão José

A rigor, apenas o egoísta vive só.

O altruísta jamais se sente abandonado, mesmo quando não tenha encontrado ainda uma companhia.

Quem é solidário desconhece a melancolia, a depressão, a angústia, a falta de alegria de viver.

Muitos se queixam de solidão, apesar de estarem rodeados por dezenas de pessoas; estes são os que ainda não aprenderam a sair de si mesmos.

Os solitários, quase sempre, são os que desejam a felicidade exclusivamente para si.

Aqueles que tomam a iniciativa de amar nunca se sentem desamados.

A Vida é uma permuta constante: quem espere receber algo deve doar aos outros o que deseja ter de volta!

Quem não semeia desconhece as alegrias da colheita.

É claro que a solidão pode ser uma prova para o espírito, mas toda prova existe para ser superada.

Quando a solidão nos martirize, busquemos nos tornar úteis aos nossos semelhantes. E se, porventura, servindo o próximo em alguma tarefa de beneficência, ainda nos sentirmos sós, isto significará que precisaremos aumentar a nossa cota de tempo no trabalho desinteressado aos que sofrem.

Solidão é sinônimo de mãos desocupadas e alma vazia de ideal.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)